Revista Manauara
Economia

Sustentabilidade, emprego e recordes: Por que a Zona França de Manaus é vital para o Brasil e para o mundo

Presidente do SIAM, Pedro Monteiro, rebate críticas ao modelo econômico e reforça dados que consolidam o Polo Industrial de Manaus como pilar estratégico e guardião da Amazônia

MANAUS (AM) – A Zona Franca de Manaus (ZFM) voltou ao centro dos debates nacionais após declarações polêmicas do influenciador Gabriel Silva, que criticou o modelo econômico em suas redes sociais. O influenciador questionou os custos logísticos de manter indústrias “no meio da floresta”, classificou a estrutura como “falida” e afirmou que o consumidor brasileiro paga mais caro para subsidiar empregos na Região Norte.

A reação do setor produtivo foi imediata. O presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus (SIAM), Pedro Monteiro, repudiou veementemente as afirmações, classificando-as como um reflexo de profunda desinformação sobre a realidade econômica, social e ambiental do país.

“Dizer que a Zona Franca só beneficia o Amazonas e que sua logística é falida é ignorar o papel estratégico que Manaus tem para a soberania e o abastecimento do Brasil. A ZFM não é um custo; é um investimento que gera riqueza para todo o território nacional e, acima de tudo, protege o maior patrimônio ambiental do planeta”, afirma Pedro Monteiro.

O motor da mobilidade e da alimentação

Longe de ser um modelo ultrapassado, o Polo Industrial de Manaus (PIM) vive um de seus momentos mais pujantes. O segmento de duas rodas, por exemplo, consolida-se como o maior polo produtor de motocicletas fora do eixo asiático. Após fechar 2025 com cerca de 1,98 milhão de motos fabricadas – o maior volume dos últimos 15 anos -, a projeção para 2026 é romper a barreira histórica de 2 milhões de unidades, um crescimento de 4,5%.

Paralelamente, o setor de alimentos, liderado por Monteiro, desponta em 2026 como peça-chave para a diversificação da matriz econômica da região. O foco está na produção sustentável de grãos, proteínas animais e alimentos processados.

Bioeconomia: riqueza com a floresta em pé

Um dos argumentos mais contundentes a favor da ZFM é o seu papel ecológico. Ao concentrar a atividade econômica no distrito industrial, o modelo reduz a pressão pelo desmatamento na floresta nativa.

A estratégia atual une tecnologia e floresta por meio do Polo Agropecuário e da Bioeconomia, movimentando áreas como:

Cadeias sustentáveis: Projetos de piscicultura, fruticultura, pecuária e agricultura familiar.
Abastecimento regional: Foco na produção de hortifrutis, café, citros (laranja e tangerina), coco, peixe e frango.
Apelo global: O cultivo e o processamento de frutos nativos como o açaí e o guaraná geram emprego e renda de forma sustentável, atraindo a atenção do mercado internacional que exige produtos ecologicamente corretos.

Números que impressionam

Os dados mais recentes da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) desmistificam a tese de que o modelo atende a poucos. Com mais de 550 empresas ativas, o Polo Industrial registrou um faturamento recorde de mais de R$ 227 bilhões em 2025. Além de 131 mil empregos diretos e mais de 500 mil postos de trabalho indiretos.

“O consumidor brasileiro não paga mais caro por causa de Manaus; ele se beneficia de uma indústria nacional forte, que gera mais de meio milhão de empregos e garante que a Amazônia continue cumprindo seu papel climático essencial para o mundo. Atacar a Zona Franca é atacar o próprio desenvolvimento do Brasil”, conclui o presidente do SIAM.

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