Revista Manauara
Saúde

Semana de Cirurgias marca estreia do robô Da Vinci X no Hospital Santa Júlia

Ao longo desta semana, a partir desta segunda-feira (6), pacientes serão submetidos a procedimentos robóticos para tratamento de câncer de próstata, tumores renais e outras condições urológicas

O Hospital Santa Júlia iniciou, nesta segunda-feira (6), as primeiras cirurgias robóticas de sua história com o sistema Da Vinci X. A programação faz parte da Semana de Cirurgias, que reúne procedimentos de alta complexidade, principalmente na área de Urologia, e marca o início oficial do programa de cirurgia robótica da instituição.

A primeira cirurgia da programação foi uma adrenalectomia direita por via robótica, procedimento para retirada da glândula adrenal direita, localizada acima do rim. Indicada para o tratamento de tumores e outras doenças da glândula, a cirurgia durou cerca de 1h30 e foi concluída com sucesso.

Ao longo da semana, serão realizados procedimentos para o tratamento de câncer de próstata, câncer renal, tumores nas glândulas adrenais e aumento benigno da próstata, além de uma prostatectomia transvesical robótica, técnica minimamente invasiva indicada para casos específicos de hiperplasia prostática benigna.

De acordo com o urologista e coordenador das cirurgias robóticas do Hospital Santa Júlia, Dr. Dimas Melão, o início das operações na instituição representará o resultado de meses de planejamento e preparação. Dimas é certificado em cirurgia robótica e já realizava regularmente esses procedimentos em centros de referência de São Paulo antes da implantação do programa em Manaus. 

“Nosso objetivo é oferecer aos pacientes do Amazonas acesso à mesma tecnologia e aos mesmos padrões de excelência encontrados nos principais centros de cirurgia robótica do Brasil e do mundo, sem que precisem sair do estado para receber esse tipo de tratamento”, afirmou. 

Para viabilizar o início das cirurgias, o hospital investiu não apenas na implantação da tecnologia, mas também na preparação das equipes envolvidas. Médicos, enfermeiros, instrumentadores, anestesiologistas e demais profissionais passaram por treinamentos teóricos e práticos, simulações e processos de certificação específicos para atuar em cirurgia robótica. 

“O objetivo sempre foi iniciar o programa seguindo os mesmos padrões de excelência adotados pelos principais centros de cirurgia robótica do país e do mundo”, destacou o especialista. 

Dimas afirma que o início das cirurgias marca apenas a primeira etapa do projeto. Segundo ele, a expectativa do Hospital Santa Júlia é ampliar gradualmente o número de procedimentos realizados com o robô Da Vinci X, incorporar novas especialidades e consolidar a instituição como referência em cirurgia robótica na Região Norte. 

“Estamos investindo não apenas em tecnologia, mas também em formação profissional, pesquisa, inovação e assistência de excelência para a população amazônica”, disse o médico. 

Diferenciais do robô Da Vinci X

Segundo Dimas, o sistema robótico Da Vinci X representa um avanço significativo na cirurgia minimamente invasiva ao ampliar a precisão e o controle dos procedimentos. Ele explica que a tecnologia oferece visão tridimensional em alta definição, movimentos mais delicados e instrumentos articulados que conseguem alcançar áreas de difícil acesso com maior segurança. 

Os benefícios para os pacientes, segundo o especialista, podem incluir menor sangramento, menos dor no pós-operatório, redução do tempo de internação hospitalar e recuperação mais rápida. Em procedimentos complexos, a tecnologia também auxilia na preservação de estruturas importantes, contribuindo para melhores resultados funcionais e oncológicos. Ele ressalta ainda que o equipamento não atua de forma autônoma. 

“É importante destacar que o robô não realiza a cirurgia sozinho. Todos os movimentos são comandados pelo cirurgião, que utiliza a tecnologia como uma ferramenta para ampliar sua capacidade técnica e precisão”, ressaltou. 

Trajetória de pioneirismo

A chegada da cirurgia robótica dá continuidade ao histórico de inovação do Hospital Santa Júlia na saúde amazonense. A instituição foi responsável pela criação do primeiro Centro de Transplantes da Região Norte, tendo realizado o primeiro transplante de rim no Amazonas e o primeiro transplante de órgão de doador falecido no estado, em 2011, quando o paciente também recebeu um rim. 

O hospital também implantou a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardiológica humanizada de Manaus e já realizou mais de 500 cirurgias cardíacas pediátricas, consolidando-se como uma das principais referências em procedimentos de alta complexidade na região. 

Inovação como marca da gestão

Para o médico fundador do Hospital Santa Júlia, Dr. Edson Sarkis, a implantação da cirurgia robótica representa mais um passo no processo de modernização da assistência médica no Amazonas. Segundo ele, a busca por tecnologias de ponta sempre teve como objetivo garantir que os pacientes da região tenham acesso aos mesmos recursos disponíveis nos principais centros de saúde do país. 

“Ao longo da minha trajetória, sempre busquei trazer inovações para o Amazonas, e agora estamos realizando as primeiras cirurgias robóticas da cidade. O Da Vinci X representa o que há de mais moderno em cirurgia robótica e reafirma nosso compromisso de oferecer aos pacientes de Manaus o mesmo nível de excelência encontrado nos maiores centros do país”, afirmou o médico. 

Pacientes mais perto de casa

Dimas Melão contou que a escolha dos primeiros pacientes foi realizada de forma criteriosa, levando em consideração fatores clínicos, a complexidade dos casos e o potencial benefício da abordagem robótica. Nesta fase inicial, foram priorizados procedimentos que já possuem ampla comprovação científica dos benefícios da cirurgia robótica, como os tratamentos para câncer de próstata, tumores renais, tumores de adrenal e hiperplasia prostática benigna. 

Para Dimas, a principal mudança para os pacientes do Amazonas é a possibilidade de realizar cirurgias robóticas no próprio estado, sem a necessidade de viajar para outros centros em busca da tecnologia. Segundo ele, isso reduz os impactos emocionais e financeiros do tratamento para as famílias e permite que os pacientes permaneçam próximos à sua rede de apoio durante o processo.

Fotos: Divulgação

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