Manaus, 21 de agosto de 2026- O diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças menores de cinco anos exige cautela e uma avaliação clínica criteriosa. É o que reforça o médico neurologista Fernando Menezes, mestre em Ciência do Comportamento. O especialista é docente de pós-graduação em neuropediatria da Afya Educação Médica e ministrou, neste final de semana, um módulo sobre Transtornos do Aprendizado e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, aos alunos da especialização.
De acordo com o médico, a fase de desenvolvimento neurológico da criança nos primeiros cinco anos de vida pode apresentar comportamentos que não necessariamente indicam um transtorno. “Não é de bom tom um pré-escolar abaixo dos cinco anos, pior ainda até dois anos, a gente suspeitar que essa criança tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Nessa fase, existe uma imaturidade do sistema nervoso central que promove diversos padrões de adaptação e evolução neurológica, então aquilo pode ser transitório, uma falta de estímulo”, explica.
O neurologista ressalta ainda a importância de que os pais ofereçam os estímulos necessários para o desenvolvimento da criança e destaca que, nessa faixa etária, o diagnóstico de TDAH é considerado difícil e não recomendado pela Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil.
O especialista da Afya também chama a atenção para a necessidade de diferenciar dificuldades escolares de um transtorno do neurodesenvolvimento. Segundo Fernando Menezes, o diagnóstico não pode ter como fundamento apenas a percepção do profissional ou o baixo rendimento escolar.

“Eu não posso achar que o TDAH é baseado na minha percepção, na subjetividade de quem examina. Existem critérios e eles são baseados em estudos validados internacionalmente e aplicados em qualquer lugar do planeta. Para suspeitar desse histórico, precisa fazer uma anamnese, uma avaliação. Apenas um baixo rendimento escolar não é sinônimo de transtorno”, afirma.
Durante o módulo de pós-graduação, os médicos também foram orientados sobre a importância do raciocínio clínico e crítico na avaliação de diagnósticos e laudos relacionados aos transtornos do neurodesenvolvimento. O neurologista reforçou ainda que a formação em Neuropediatria deve preparar o profissional para analisar cada caso com base em evidências científicas e diretrizes médicas.
“O que os alunos aprendem na Neuropediatria é justamente a ter esse raciocínio crítico e não aceitar diagnóstico dado por outros profissionais baseado em laudos, a não ser que eles consigam embasar esse diagnóstico. Aqui a gente desenvolve um raciocínio clínico, baseado em diretrizes, em ciência”, ressalta.
A diretora da Afya Educação Médica, Suelen Falcão, destaca que a especialização é uma oportunidade para ampliar a qualificação dos profissionais e contribuir para o atendimento de demandas específicas da população.
“Ter uma especialidade médica é fundamental para que o profissional esteja preparado para atuar de forma cada vez mais qualificada. Na Neuropediatria, essa necessidade é ainda mais evidente, porque temos uma demanda crescente por profissionais especializados no Amazonas. A formação permite que o médico aprofunde seus conhecimentos e esteja mais preparado para atender as necessidades das unidades de saúde e dos pacientes”, afirma.
Suelen Falcão reforça ainda que a pós-graduação em Neuropediatria da Afya Educação Médica integra conteúdos teóricos e práticos voltados à avaliação e ao acompanhamento de condições neurológicas e do neurodesenvolvimento na infância.

