Manacapuru, 17 de março de 2026 – Levar atendimento de saúde a quem vive distante dos centros urbanos é o objetivo de uma missão que percorrerá 14 comunidades ribeirinhas do Amazonas, numa ação de 12 dias. A programação, da Unidade Básica de Saúde (UBS) Fluvial do município, contará com o apoio da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru. Médicas residentes do curso de Medicina de Família e Comunidade da instituição realizarão atendimentos nas comunidades.
Durante o período, as residentes irão prestar atendimentos clínicos, orientações de saúde e ações de prevenção, acompanhando de perto as demandas das comunidades ao longo do trajeto.
Segundo a diretora da Afya Manacapuru, Karen Ribeiro, a participação das residentes na ação reforça o compromisso da instituição com a formação de profissionais preparados para atuar em diferentes realidades sociais e geográficas. “Essa experiência proporciona um aprendizado que vai além da sala de aula. Ao participar dos atendimentos em comunidades ribeirinhas, as residentes têm a oportunidade de compreender de perto os desafios do acesso à saúde na região amazônica e desenvolver um olhar mais sensível e resolutivo para o cuidado com a população”, destaca.
O coordenador dos programas de Residência da instituição, o médico Israel Reis, afirma que a atuação em unidades fluviais é estratégica para a formação voltada à Atenção Primária. “Levar os residentes para esse cenário é fundamental para que compreendam a dinâmica da saúde em territórios ribeirinhos. Além de ampliar o acesso da população ao atendimento médico, essa vivência fortalece competências essenciais da Medicina de Família, como o cuidado integral, a escuta qualificada e a adaptação das condutas à realidade local”, explica.

Experiência – Para a médica residente Amanda Canto, que irá participar pela primeira vez da expedição, a experiência representa uma oportunidade de colocar em prática os princípios da Medicina de Família e Comunidade. “Escolhi essa área, porque ela me permite acompanhar o paciente de forma integral, considerando não apenas a doença, mas também o contexto de vida da pessoa, da sua família e da comunidade em que está inserida. A Residência nos apresentou essa ação como uma chance de ampliar o acesso à saúde em comunidades ribeirinhas e, ao mesmo tempo, vivenciar realidades diferentes”, afirmou.
De acordo com Amanda Canto, as expectativas para os atendimentos são positivas. “Espero que possamos contribuir oferecendo atendimento de qualidade, escutando as necessidades da população e ajudando na prevenção e no tratamento de problemas de saúde”, disse.
A residente Danny Coutinho de Figueiredo também vê a iniciativa como um momento importante de aprendizado e de contribuição social. “Escolhi a Medicina de Família, porque acredito que olhar o paciente como um todo, para além da doença, faz toda a diferença no seu plano terapêutico. “Minha expectativa é conseguir levar um atendimento resolutivo e humanizado, adaptado às necessidades específicas de cada comunidade. Essa experiência fortalece o papel da prevenção e do acolhimento, especialmente em locais onde o cuidado especializado é menos acessível”, acrescenta.
Ela ressalta que a prática em territórios ribeirinhos exige também sensibilidade cultural e capacidade de adaptação. “O raciocínio clínico e a competência cultural fazem muita diferença. Sem o suporte imediato de grandes centros, o exame físico e a escuta tornam-se nossas ferramentas mais importantes. Além disso, precisamos entender os determinantes sociais locais, como o ciclo do rio, a alimentação e as formas de trabalho da comunidade, para que as orientações de saúde façam sentido com o dia a dia das pessoas”, frisa.
Imagens: Arquivo Pessoal

