Revista Manauara
Educação

Além do entretenimento: como o brincar acelera as conexões neurais e o aprendizado infantil

Especialista explica como atividades lúdicas estimulam o cérebro e preparam os alunos para a alfabetização

Na educação infantil, o que muitas vezes parece apenas um momento de descontração é, na verdade, um dos períodos de maior atividade neurológica do ser humano. Durante o brincar, o cérebro da criança opera em um ritmo acelerado, realizando sinapses que consolidam o aprendizado e criam a base para habilidades complexas. No Pinocchio Centro Educacional — unidade que integra as Instituições Nelly Falcão de Souza (INFS) —, essa premissa guia o planejamento pedagógico há décadas e ganha um significado especial este mês, com a celebração do aniversário da escola no dia 28 de abril.

De acordo com a coordenação pedagógica do Pinocchio, Úrsula Bessa, o ato de brincar ativa regiões vitais como o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e pela resolução de problemas. “O cérebro da criança nessa faixa etária tem uma atividade fascinante. Durante o brincar, as sinapses acontecem a todo vapor”, explica a especialista. Ao manipular blocos lógicos ou criar regras, a criança exercita a capacidade de organizar informações e assumir papéis de liderança, transformando o lúdico em um método eficaz para que o conhecimento seja absorvido com profundidade.

Para a diretora das INFS, Nelly Falcão, a ludicidade é o pilar que sustenta a missão de formar cidadãos conscientes. O desenvolvimento físico também é impactado: atividades de movimento estimulam o cerebelo, enquanto a repetição ajuda o hipocampo a fixar a memória. “Qual é a grande diferença do aprender dessa forma? A criança aprende com prazer. E o que tem significado para nós, nós retemos melhor”, pontua a coordenadora do Pinocchio.

No cotidiano escolar do Pinocchio, o lúdico é integrado a temas contemporâneos como a sustentabilidade. Projetos interdisciplinares permitem que as crianças aprendam sobre preservação ambiental através de circuitos de psicomotricidade e oficinas de reciclagem. Essa metodologia “mão na massa” se estende ao bilinguismo e ao projeto maker, onde o objetivo é a formação integral. Quando o aluno participa da confecção do próprio material, o aprendizado sobre o ciclo dos recursos torna-se intuitivo e desperta a consciência de cuidado com o próximo.

Uma dúvida comum entre as famílias é se o foco na ludicidade pode retardar o domínio de letras e números, mas a especialista esclarece que o lúdico atua como um acelerador. Antes de ir para o papel, o aluno vivencia o conteúdo: faz caça ao tesouro de números ou risca letras na areia do parquinho. Essa transição estratégica entre o vivencial e o tradicional garante que, ao chegar no momento da escrita, a criança já tenha assimilado o fonema e a forma de maneira orgânica e segura.

No campo socioemocional, as brincadeiras coletivas funcionam como um laboratório de convivência. É nesse espaço que surgem as primeiras negociações e o desenvolvimento da autonomia. A gestão das emoções também é exercitada através da espera e do “não”. Em uma fase marcada pelo egocentrismo natural da infância, aguardar a vez de brincar é um exercício prático de empatia, ajudando a criança a trabalhar a frustração e a entender que o convívio social exige respeito ao tempo do outro.

O papel do educador é o de mediador, incentivando que os alunos colaborem para superar obstáculos. Brincadeiras que exigem grupos para vencer desafios ensinam que a cooperação é o caminho para o sucesso. Atualmente, esse direito de aprender brincando é assegurado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que reconhece a ludicidade como eixo estruturante. “É estimulando através do lúdico que preparamos a criança para os desafios futuros”, conclui a educadora Úrsula Bessa.

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