Faleceu nesta segunda-feira (26), em Manaus, o sambista Paulo Juvêncio de Melo Israel, mais conhecido como Paulo Onça, aos 63 anos. O artista estava internado desde dezembro de 2024, quando foi violentamente agredido após se envolver em um acidente de trânsito na zona Centro-Sul da capital amazonense.
O artista estava internado no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), para onde havia sido transferido no dia 12 de maio, do Hospital e Pronto Socorro João Lúcio, onde fazia seu tratamento desde a agressão.
A agressão ocorreu na madrugada do dia 5 de dezembro, por volta de 1h30, na região da Praça 14. Segundo testemunhas, Paulo Onça foi atacado com socos na cabeça por um comerciante identificado como Adeilson Duque Fonseca, conhecido como “Bacana”, que teria se exaltado após o acidente.
A gravidade dos ferimentos deixou o sambista hospitalizado por mais de cinco meses, sem conseguir se recuperar das lesões. A morte dele encerra uma trajetória marcada pela dedicação à música popular amazonense, especialmente ao samba, ritmo no qual se destacou como cantor e compositor.
Prisão do agressor
Dois dias após o episódio, no dia 7 de dezembro, Adeilson Fonseca foi preso por agentes do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Ele foi indiciado por homicídio qualificado e tentativa de homicídio, ainda durante o período em que Paulo Onça permanecia internado em estado grave.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou, por meio de nota, que o acusado segue detido em uma unidade prisional da capital, onde permanece à disposição da Justiça.
Paulo Onça era uma figura conhecida no cenário cultural manauara e sua morte causou comoção entre amigos, familiares e admiradores de sua obra. A expectativa agora é que o processo contra o agressor avance na Justiça com a reclassificação definitiva do caso como homicídio consumado.
O prefeito de Manaus, David Almeida e o governador Wilson Lima emitiram nota de pesar.
NOTA DE PESAR
O Governo do Amazonas lamenta, com profundo pesar, o falecimento do compositor amazonense Paulo Juvêncio de Melo Israel, o Paulo Onça, nesta segunda-feira (26/05), aos 63 anos. O sambista estava internado desde o dia 5 de dezembro, em Manaus, após agressão durante um acidente de trânsito.
Paulo Onça deixa um legado marcante na cultura popular brasileira, especialmente nos desfiles das escolas de samba. Dono de versos que emocionaram multidões, ele assinou sambas memoráveis, entre eles o enredo da Acadêmicos da Grande Rio em homenagem à cantora Ivete Sangalo, em 2017 – uma obra que ficou registrada como um dos momentos mais celebrados do Carnaval carioca.
O primeiro grande sucesso do compositor foi o samba-enredo “Nem Verde e Nem Rosa”, que levou a Escola de Samba Vitória Régia ao título de campeã do carnaval manauara em 1990.
Ao longo de sua trajetória, escreveu mais de 130 músicas e teve suas composições interpretadas por grandes ícones da música brasileira, como Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e o grupo Exaltasamba, reafirmando sua importância e respeitabilidade no cenário nacional.
Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos e admiradores de Paulo Onça. Sua voz e sua poesia seguem eternas nas rodas de samba.
- Com informações do Portal de notícias Fato Amazônico.

