Reconhecimento da Unesco celebra a importância histórica e cultural do Teatro Amazonas, em Manaus, e do Theatro da Paz, em Belém
O governador Roberto Cidade recebeu, nesta terça-feira (3), da representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Marlova Noleto, o certificado que reconhece oficialmente o Teatro Amazonas como Patrimônio Mundial Cultural da Unesco. Inaugurado em 1896, no auge do ciclo da borracha, o espaço simboliza a riqueza cultural da região e, prestes a completar 130 anos, passa a integrar a lista da entidade ao lado do Theatro da Paz (PA), consolidando o primeiro reconhecimento de Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte.
A chancela contempla também os espaços públicos conectados aos monumentos: o Largo de São Sebastião, na capital amazonense, e a Praça da República, na capital paraense.
Durante o ato no Teatro Amazonas, o governador destacou o impacto da conquista para o Estado.

“Hoje nós recebemos esse título, essa condecoração que reconhece a grandeza do Teatro Amazonas. Esse título não é para quem está governando, esse título representa o povo do nosso Estado, o maior estado da Federação, um estado de dimensões continentais e que, a partir de agora, se torna ainda mais importante e relevante para o mundo. Sou grato por estar na condição de governador do Amazonas neste momento histórico”, exaltou o governador Roberto Cidade durante a solenidade.
O governador anunciou ainda que está em tratativas com a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) para formalizar um documento que assegure a realização da reforma integral do Teatro Amazonas.

“Antes de deixarmos o governo, iremos autorizar a reforma integral do Teatro Amazonas, algo que não acontece desde a década de 1990. Certamente, o governador e a vice-governadora eleitos terão o mesmo olhar sensível para essa obra, que é motivo de orgulho para todos os amazonenses”, anunciou o governador.
Em seu discurso, Roberto Cidade também ressaltou a importância da Lei Rouanet e defendeu que as empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) ampliem o incentivo e o apoio direto aos artistas e fazedores de cultura do Amazonas.

“Além de exaltar esse momento histórico e simbólico, faço um apelo para que os recursos da Lei Rouanet permaneçam no Amazonas e beneficiem os artistas locais. As empresas do PIM utilizam o CNPJ das unidades instaladas aqui para financiar projetos culturais no Sul e no Sudeste, mas muito pouco ou quase nada fica no nosso Estado. O que queremos é que a nossa cultura e os nossos artistas sejam enxergados e tratados com a grandeza e a importância que possuem”, declarou.
Teatros ajudam a conhecer a história do Norte do país
Segundo o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a conquista ressalta a importância histórica e social dos monumentos para a Região Norte.
“O Teatro Amazonas e o Teatro da Paz, em Belém, ajudam a entender um pouco da história do Norte do país, um pouco da história da Amazônia e, sobretudo, ajudam a entender a nossa formação social, que está muito ligada a ciclos econômicos específicos, como o da borracha. Ajudam a entender a nossa sociedade, como nos relacionamos com a nossa região e como essa região, além de ter um patrimônio natural riquíssimo, que é a própria Floresta Amazônica, também produz cultura”, disse.

Trajetória e o valor do reconhecimento
O título concedido ao Teatro Amazonas é fruto de um rigoroso processo iniciado em 2010, com a primeira visita da Unesco a Manaus.
Em 2015, os Teatros da Amazônia entraram na Lista Indicativa do Brasil. Após oficinas técnicas realizadas entre 2023 e 2024, o dossiê oficial foi entregue em janeiro de 2025.
O reconhecimento internacional veio em 27 de julho de 2026, com a aprovação formal do Comitê da Unesco, em Busan, na Coreia do Sul.
A conquista consolida Manaus no circuito global de turismo cultural, garante a preservação contínua e abre caminhos para a cooperação técnica internacional.
Para a diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, o monumento carrega um significado especial para o mundo.
“Esses conjuntos arquitetônicos trazem a beleza do ciclo da borracha, de uma época de glória para toda a Amazônia. E, a partir de agora, inscritos nessa lista do Patrimônio Mundial, eles passam a ser também reconhecidos pelo mundo como um patrimônio que pertence a toda a humanidade. A importância do título é justamente reconhecer o valor excepcional e universal que determinado lugar tem. Este é o 26º título de Patrimônio da Humanidade no Brasil e o primeiro na Região Norte”, declarou.

Orgulho amazonense
O sentimento de orgulho tomou conta do público presente. A autônoma Elianeide Albuquerque, de 63 anos, era uma das primeiras na fila para prestigiar a cerimônia e celebrou a conquista.
“Como amazonense, eu gosto de prestigiar aqui. Isso é um marco na nossa cultura, para o nosso Estado. É bem merecido esse reconhecimento. Para mim, é muito gratificante saber que o meu Estado vai ser ainda mais reconhecido. Eu já vim aqui e acompanhei vários espetáculos e, para mim, é uma alegria saber que Manaus está recebendo esse título”, celebrou.
Além da solenidade, a noite contou com o espetáculo cênico-musical “Sons do Amazonas”, que reuniu a AmazonasBand, o Balé Folclórico do Amazonas e cantores locais, além de uma Feira de Economia Criativa no Largo de São Sebastião.
O evento reuniu autoridades do Governo do Estado, do Iphan, da Unesco, do Ministério das Relações Exteriores e da Prefeitura de Manaus, além de representantes do Pará, da sociedade civil e da população.
Fotos: Divulgação/Secom

