Revista Manauara
Saúde

Pesquisa aponta que Lipedema pode afetar 12,3% das mulheres e médica explica quais sinais auxiliam no diagnóstico

Especialista da Afya alerta que muitos sintomas ainda são confundidos com quadro de obesidade

Manaus, 01 de outubro de 2026- Tendo como sintomas a sensação constante de peso, membros inchados e dor, o lipedema ainda é uma condição constantemente confundida com quadro de obesidade. De acordo com o Consenso Brasileiro de Lipedema, a doença pode atingir até 12,3% da população feminina adulta. Segundo a médica e professora de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica, Bruna D’Ávila, entre os sinais que podem levantar suspeita e auxiliar o diagnóstico estão dor ou sensibilidade ao toque, sensação de peso nos membros, distribuição desproporcional do tecido adiposo e facilidade para desenvolver manchas roxas, conhecidas como equimoses.

“Dor e sensibilidade nas pernas não devem ser automaticamente consideradas consequência do peso corporal. Se uma mulher sente desconforto ao toque, sensação de peso ou dor persistente, vale investigar”, afirma.

Para a nutróloga, outro aspecto que pode ser observado é a distribuição do tecido adiposo, geralmente bilateral e simétrica, com possível aumento de volume em pernas e braços e preservação de mãos e pés. No entanto, a médica ressalta que nenhum desses sinais, isoladamente, confirma o diagnóstico.

“O lipedema também pode se manifestar ou se agravar em períodos de mudanças hormonais, como puberdade, gestação e menopausa. Por isso, a investigação médica considera não apenas o peso ou o índice de massa corporal (IMC), mas também o histórico da paciente, a evolução dos sintomas e o exame físico”,  comenta.

A especialista também chama atenção para um dos principais mitos relacionados à doença, a ideia de que o lipedema seria simplesmente uma “gordura que não emagrece”. De acordo com Bruna D´Ávila, a condição envolve alterações no tecido adiposo subcutâneo e deve ser analisada de maneira individual.

A nutróloga reforça que alimentação e atividade física continuam importantes quando há excesso de peso ou alterações metabólicas associadas, mas o cuidado não deve se resumir a dietas restritivas ou à busca por um determinado número na balança. “Tratar o lipedema não é abandonar o cuidado com o peso. É deixar de reduzir toda a saúde da mulher apenas ao peso”, afirma.

Conforme a professora da Afya, após o diagnóstico, o tratamento é definido de acordo com os sintomas, composição corporal, mobilidade e impacto da condição na qualidade de vida. A abordagem pode envolver profissionais de diferentes áreas, como nutrologia, fisioterapia, cirurgia vascular ou angiologia, educação física e psicologia.

Para Bruna D´Ávila, reconhecer que o lipedema é uma condição clínica, e não apenas uma questão estética, é um dos primeiros passos para ampliar o diagnóstico. “Quando existe dor, limitação funcional, desconforto ou impacto na qualidade de vida, estamos falando de saúde. O diagnóstico adequado começa quando olhamos para a paciente como um todo e não apenas para uma medida corporal”, destaca.

Atendimento – Em Manaus, a Afya Educação Médica mantém uma iniciativa voltada ao apoio para a comunidade, oferecendo atendimento gratuito em diversas especialidades médicas, incluindo Nutrologia. O serviço faz parte das atividades práticas dos cursos de pós-graduação da instituição e amplia o acesso da população a cuidados especializados.
Os atendimentos são realizados mediante agendamento, na sede da Afya, localizada na avenida André Araújo, nº 2767, bairro Aleixo. “Com essa iniciativa, os médicos em formação nas suas especialidades conseguem atuar em casos reais, enquanto a comunidade é beneficiada com a oferta de atendimento especializado”, reforça a diretora da unidade, Suelen Falcão.

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