Com a candidatura conjunta do Teatro Amazonas e do Theatro da Paz, a Região Norte conquistou, pela primeira vez, um título de Patrimônio Mundial Cultural da Unesco
O Amazonas alcançou um marco histórico para sua cultura e seu patrimônio. O Teatro Amazonas, um dos maiores símbolos da identidade cultural do estado, foi reconhecido como Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas (Unesco), em candidatura conjunta com o Theatro da Paz, de Belém (PA), sob a denominação “Teatros da Amazônia”.
O reconhecimento, aprovado pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, coloca os dois teatros entre os mais importantes bens históricos do planeta e faz com que a Região Norte conquiste, pela primeira vez, um Patrimônio Mundial Cultural reconhecido pela organização.
A conquista é resultado de um trabalho articulado entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores e os Governos do Amazonas e Pará, por meio das suas respectivas Secretarias de Estado de Cultura.
Projeção internacional do Amazonas
Para a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, o reconhecimento representa uma oportunidade para ampliar a visibilidade internacional do estado, fortalecendo o turismo cultural, impulsionando a economia criativa e consolidando Manaus como um dos principais destinos históricos e culturais do Brasil.
O secretário de Cultura e Economia Criativa, Caio André, enalteceu a escolha dos Teatros da Amazônia para a preservação da história e a cultura viva do Teatro Amazonas e Theatro da Paz.

“Hoje é um momento histórico para a cultura do Estado do Amazonas, para todos os amazonenses. Esse reconhecimento, ele vem brindar esse trabalho que é realizado por muitas mãos e com apoio do Iphan, Prefeitura de Manaus e governo federal. Em 2015 houve o primeiro contato, o primeiro lançamento de candidatura. Em 2023, nós voltamos a reforçar isso, sempre com apoio do Iphan. Aqui, no Teatro Amazonas, acontece, sem sombra de dúvidas, as principais pautas da cultura do nosso estado.
Além de preservar um dos maiores patrimônios arquitetônicos do país, o título da Unesco tende a aumentar o interesse de turistas nacionais e estrangeiros, ampliando o fluxo de visitantes e gerando impactos positivos em diversos setores da economia, como hotelaria, gastronomia, transporte, comércio e serviços.
O reconhecimento também reforça o papel do Teatro Amazonas como um dos principais palcos da produção artística brasileira, contribuindo para a valorização dos artistas locais, da música, da dança, do teatro e de outras manifestações culturais que movimentam o equipamento ao longo de todo o ano.
Patrimônio que representa a história da Amazônia
Inaugurado em 1896, durante o ciclo da borracha, o Teatro Amazonas tornou-se um dos maiores símbolos da Belle Époque na região Norte. Sua arquitetura monumental, os elementos artísticos e os materiais utilizados na construção refletem o período de prosperidade econômica vivido pelo Amazonas no final do século XIX.
Ao lado do Theatro da Paz, inaugurado em 1878, em Belém, o espaço passou a integrar um circuito cultural que recebia companhias nacionais e internacionais, consolidando a Amazônia como importante polo artístico das Américas.
Ao longo das últimas décadas, o Teatro Amazonas ampliou sua vocação cultural e tornou-se palco de grandes espetáculos, festivais, concertos, produções operísticas, apresentações populares e ações de formação artística, consolidando-se como referência para a cultura brasileira.
O coordenador técnico do Iphan no Amazonas, Rafael Azevedo, acrescentou que os dois teatros são símbolos de referências culturais, não só dos dois estados, não só do Brasil, mas agora do mundo e, que a partir de agora, o trabalho será construído com muitas mãos, com o poder público, com sociedades, com as representações dos artistas, dos trabalhadores da cultura, dos trabalhadores do turismo e da economia criativa.

“Todos integraram esse trabalho e hoje, nesse momento de recebimento do título, a gente também marca o início. Esse novo ciclo, agora da gestão compartilhada desse bem-descritivo, vamos ter a formação de um comitê gestor, representações do poder público e sociedade civil e teremos também um plano de gestão, que é um dos elementos mais importantes, que são ações que nós precisamos fazer a partir de agora para que esse teatro tão alinhado, tão participado, que ele continue sendo esse bem patrimônio do Amazonas, patrimônio do Brasil e agora patrimônio mundial.”
Turismo, economia e cultura fortalecidos
Com o reconhecimento internacional, a expectativa é de fortalecimento das políticas de preservação do patrimônio, ampliação da cooperação internacional e incremento das ações voltadas ao turismo cultural.
O título também reforça o potencial do Amazonas para receber investimentos ligados à economia criativa, além de ampliar a promoção do estado em roteiros turísticos nacionais e internacionais.

A gerente de Patrimônio Histórico (GPH) do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Luanda Bernardo, estava na expectativa do anúncio da Unesco e confiante da escola dos Teatros da Amazônia. “Nós estávamos esperando que isso acontecesse. Então, vão vir novas coisas, novas informações a partir do ano que vem. E isso vai ser moldado com as três estrelas. Então, se preparem, porque agora, sim, temos um monumento mundial que vai sediar tudo isso”, finalizou.
A conquista deverá beneficiar não apenas Manaus, mas toda a cadeia produtiva da cultura e do turismo amazonense, fortalecendo profissionais, empreendedores, produtores culturais, guias de turismo, artesãos, restaurantes, hotéis e demais segmentos que integram a economia do setor.

Primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte
Com a inscrição dos Teatros da Amazônia na Lista do Patrimônio Mundial, o Brasil passa a contar com 26 sítios reconhecidos pela Unesco, sendo 16 culturais, nove naturais e um misto.
Para o Amazonas, o reconhecimento representa mais do que um título internacional: consolida o Teatro Amazonas como um patrimônio de valor universal e reafirma o protagonismo da cultura amazônica no cenário mundial, projetando a riqueza histórica, artística e arquitetônica da região para as futuras gerações.
Fotos: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
Foto de drone: Arquivo/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

